quinta-feira, dezembro 15, 2005

Pudor

Ela era extremamente pudica. Só na terceira noite em que o deixou vir-se na sua boca lhe permitiu, por instantes, o vislumbre de um sentimento em contraluz. Como no fundo era um cavalheiro fingiu que nada tinha visto para além do admissível. Mas, enquanto puxava as calças para cima, não conseguia deixar de sentir-se o mais reles dos espreitas. «Puxei com muita força?» perguntou com falsa indiferença, enquanto a ouvia abrir a torneira do lavatório e gargarejar o que lhe pareceu ser um «não».