sexta-feira, março 24, 2006

Quotidiano

Sabes do que é que tenho mais saudades? Não é da forma sublime como o teu corpo se aconchegava ao meu; não é da tua incapacidade de resistir, nem por um bocadinho, às minhas pernas nuas mesmo quando dormias profundamente; não é de te sentir duro - tão duro! - como ninguém colado a mim; não é de ouvir a tua voz entaramelada colada ao meu pescoço a tentar juntar sílabas para me dizer coisas que só muito excecpionalmente te ouvi acordado. Não é de nada disso.

Tenho saudades do cheiro a pasta dos dentes que me gravaste no inconsciente, dia após dia, quando me beijavas a testa e as tuas mãos ajeitavam o cobertor que sempre dormiu aos pés da cama para subir só de manhã.