terça-feira, janeiro 03, 2006

Paradoxo do comprimido azul

Longos segundos sem que ousem nenhum movimento. Tão tentadoramente perto.
Ele pressente-a arrepiar-se, observa-a comprimir-se contra a parede e mantém-se firme, deixando que apenas lhe sinta a respiração queimar-lhe o pescoço.
Quase lhe dói a pele na expectativa do toque, só quer sentir o calor do seu corpo colado a si. Mas não, ele persiste naquela tortura. A barba roça-lhe a nuca num fio de dor e não consegue conter um sussurro. Ainda mal começaram e está prestes a abandonar-se até à inconsciência, só instinto a latejar.
Nunca nenhum homem a levou tão alucinantemente longe. Logo aquele... Mas ele que há muito que deixou de se deter em pormenores.